sábado, 1 de novembro de 2014

Hans, O fugitivo

Postado por Beatriz Abreu às 15:04


          Aqui esta a segunda parte  da Fic do Hans <3 espero que gostem. ( Continuação de :                                                                       "Hans, O príncipe renegado " )





Hans, O fugitivo








    Dizia um velho sábio que o destino guarda diversas surpresas imensuráveis e que tudo no final se daria da forma como deve ser.
 Mas não devemos chamar de destino as consequências das nossas próprias escolhas. Ninguém controla o tempo, tão pouco as cordas da discórdia.

    Olhando através das barras de metal da torre mais vigiada das terras do Rei Theodor, estava um rapaz cujo destino foi escrito a sangue. Os cabelos ruivos na altura dos ombros esvoaçavam com a brisa fria da primavera e ocultavam sua verdadeira beleza. Estava a admirar as flores de lavanda que cresciam no gramado verde musgo do jardim mais belo que vira até então. Acompanhava o seu crescimento desde que se perdeu  no tempo, atrás daquelas barras. O orvalho matutino anunciava o nascer do sol, onde o badalar dos sinos despertava a cidade inerte que aos poucos ia criando vida, numa pequena feira barulhenta.
  
Hans procurava por um sopro de vida.
Algo que o fizesse ter um sonho de vida novamente.
Todos aqueles anos preso o estavam fazendo perder a insanidade, perder o rumo, perder os restos   dos anos que lhe restavam.
  
    Quando Hans tinha 8 anos, ele queria ser feirante, gostava de passar horas e horas escolhendo os frutos mais suculentos e sentia que de alguma forma se vendesse uma dúzia de morangos poderia trazer honra para seu pai. Claro que seus sonhos foram destruídos e reduzidos a nada por seus irmãos e principalmente seu pai.
    Com o passar do tempo, apesar das visitas menos frequentes do pai do menino, a mãe de Hans, ainda viva naquela época, passou a desejar que o príncipe demonstrasse mais emoções. Não que Hans fosse malvado. Nada disso. Hans apenas tinha um temperamento sério. Ele não brincava como as outras crianças. Em vez de sonhar acordado, ou brincar de faz de conta com seus brinquedos, passava horas e horas admirando o mundo lá fora pela janela de seu quarto. Eram raros os sorrisos. Foi quando sua mãe faleceu.
     Hans se lembrava bem daqueles tempos difíceis. Com a morte da esposa, Theodor  encheu-se de fúria e culpou o  próprio menino. Sedas preciosas foram consumidas por labaredas. Pedaços de porcelana voaram, chocando-se contra a parede. Quando a destruição de objetos não foi suficiente para saciar sua irá, ele dirigiu-se ao menino.
    Bravamente ele manteve-se de pé, apenas fitando com seus olhos humildes o carpete escuro, calmo, sem uma palavra se quer. Com a fúria de um touro, o rei elevou o braço para trás e acertou Hans no rosto com tanta força que seu pobre corpo foi atirado contra o chão. O menino ficou imóvel, com o corpo dolorido, estirado no chão como um velho boneco de pano. 

    Vários pensamentos como esses vieram para lhe atormentar durante todo o tempo que esteve atrás das grades. Ele se perguntava se a promessa que fizera a anos ainda estaria de pé.... Mataria mesmo a princesa de Arendelle se conseguisse sair dali ?...Por alguma razão irracional, as vozes em sua mente gritavam "Não".

- De que lado estou? - Murmurava para si mesmo enquanto caminhava de um lado para o outro, condenando-se por ser tão tolo.- 

    Apesar disso, ninguém que observasse o príncipe veria ali o arrependimento que ele realmente sentia. Via-se apenas um assassino que desonrou seu reino todo, seu pai, seus irmãos. De qualquer forma agora viveria ali. Quando finalmente o sol chegou ao ponto mais alto no céu a cidade finalmente acordou, os pássaros cantavam, as crianças ziguezagueavam pelas bancas e os feirantes anunciavam suas ofertas, que por sinal não eram  em nada criativas.

   Southern Isles era bem calma na maioria das vezes. É claro que também não ficava impune dos piratas que saqueavam varias das ilhas por ali. E justo naquela manhã, barcos com velas negras como a noite emergiram  no horizonte. Os barcos estavam providos de uma besta que estava predestinada a lançar ganchos de abordagem, muito útil para saquear navios. 
A frota  chegou ao porto e logo a feira se desfez num caos impossível de controlar, desta vez vieram em maior numero. A artilharia real não demorou para entrar em cena, barracas, animais e pessoas voavam por todos os lados, estava um verdadeiro caos.
   Em sua cela, Hans estava tão absorto observando a performance dos piratas que não notou a invasão da torre onde estava preso. Jovens delinquentes altos, com tatuagens de caveiras e armas extremamente perigosas. Claro, não demorou muito para tomarem a torre e fazerem de refém os guardas que tomavam conta dali.
Isso era realmente impossível de estar acontecendo, era quase como um milagre, ele havia ganhado mais uma chance. 
    Os jovens inexperientes não só soltaram o príncipe, como também todos os que estavam presos naquela torre. Os gritos de comemoração podiam ser ouvidos de todos os cantos, empurrões e pequenos socos eram distribuídos de todas as partes, porém Hans não ficou ali para saber o que mais iriam distribuir. Sem que notassem, o príncipe já estava do lado de fora da prisão e pela primeira vez respirou fundo, sentindo o cheiro das flores de lavanda tão puras que fizeram seu pulmão doer. Ele estava livre. 
    Correndo por entre os destroços, evitando pessoas e soldados, o príncipe sem saber exatamente para onde ir, correu em direção ao jardim que observou durante anos.  Avançou rapidamente e, passando por um portão, entrou no único local onde sabia que havia uma saída para longe dali.          Durante o dia, o jardim era impressionante, mas ao cair da noite, iluminado somente pelas estrelas  e pela luz do luar, era completamente complexo, um verdadeiro labirinto. Cada nicho escuro sussurrava segredos, esperando que o fugitivo os descifrasse para sair dali. Segundo boatos, o rei fizera aquele jardim para sua falecida esposa. Era difícil imaginar um casal apaixonado perambulando por um labirinto sombrio.
     Adentrando mais no jardim, Hans notou os largos pilares de rocha  ao norte. Possivelmente era a sua saída daquele inferno, a sua passagem para o mundo exterior. Era preciso apenas acertar o caminho. Correu por entre os corredores de folhagens até que se deparou de frente a uma parte do jardim onde ficava na altura do muro que o circundava e ele podia ter a clara visão do oceano, ele não tinha escolha a não ser pular.
     Ao chegar do outro lado, caiu dentro da gélida água salgada do mar, onde teve a visão completa do porto em chamas. Destroços flutuavam no mar enquanto piratas e soldados travavam uma disputa sobre o cais. 
   Hans conseguiu subir num pequeno barco que afastou-se do porto com as fortes ondas que castigavam o litoral de Southern Isles. Afoito, com medo de acabar voltando para lá, começou a remar freneticamente para o Norte, sem saber ao certo onde iria chegar.
Novamente o céu já estava escurecendo, e as estrelas já faiscavam bravamente entre as nuvens densas. Estirado no convés, o príncipe respirava exausto e ainda estava tentando assimilar o que acabara de acontecer. Piratas invadiram Southern Isles, libertaram os prisioneiros, destruíram o porto e agora estava num barco, no meio do nada, sem uma alma viva ali, a não ser a  dele. Com os lábios ligeiramente entreabertos para a entrada do ar nos pulmões, o ruivo começou a gargalhar, o mais alto que pode. Sem medo de ser ouvido, ele finalmente estava livre.





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